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Jovens prometem envolvimento ativo pela justiça climática

Jovens prometem envolvimento ativo pela justiça climática

Raimy Esperanza Ramirez Jimenez, da Igreja Presbiteriana da Venezuela, interage com outros participantes da “Juventude por Eco-Justiça”. © CMI/LWF/W. Noack

2011-12-14

Por George Arende (*)

Após duas semanas de treinamento em teologia e política de justiça ecológica, em Durban, África do Sul, jovens cristãos de todo o mundo se comprometeram a iniciar, em seus próprios contextos, iniciativas que promovam os novos conceitos que aprenderam.

“Juventude pela Eco-Justiça”, um projeto em comum da Federação Luterana Mundial (FLM) e do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reuniu 30 jovens para reflexão bíblica e diálogo sobre o meio ambiente, entre 28 novembro e 10 de dezembro.

Os jovens receberam orientação e treinamento em defesa de causa, desenvolvimento de estratégias de campanha, comunicação e planejamento e implementação de projetos de eco-justiça.

O grupo incluiu anglicanos, luteranos, metodistas, ortodoxos, presbiterianos e católico-romanos e esteve reunido em Durban, simultaneamente às negociações em andamento na 17ª Conferência das Partes à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP17).

Ao deixar Durban, um dos jovens descreveu alguns de seus planos futuros: "Pretendo usar o período de 40 dias da Quaresma para exortar os luteranos na Suécia a minimizar o uso de veículos e produtos que aumentam as emissões de carbono", disse Joakim Book Jonsson, de 20 anos.

Jonsson optou por usar a interpretação cristã da Quaresma, um período de abnegação e oração, para invocar todos os cristãos a fazer a vontade de Deus e fazer prevalecer Deus em seus corações, reduzindo as emissões de carbono.

"Um jejum de emissão de carbono", observou ele, “seria uma forma apropriada dos cristãos agirem no período de Quaresma. Ele disse que vai envolver mais jovens de sua igreja através das mídias sociais e compartilhar histórias em um blog.

Apoio às minorias

Viktor Liszka, de 30 anos, da Igreja Luterana na Hungria, indicou que vai continuar o trabalho de promoção das expressões artísticas dos jovens das comunidades ciganas.

Jovens com habilidades artísticas pintam casas e promovem a cultura entre o povo Roma, disse Liszka.

Ele explicou a intenção dos jovens luteranos de promover o patrimônio turístico da comunidade e melhorar sua subsistência. O povo Roma, na Hungria, são o maior grupo de minoria étnica, com cerca de 2% da população total do país, que é estimada em 10 milhões de habitantes.

A Igreja Luterana Húngara expressa apoio a este grupo minoritário em tempos difíceis. "Nós compartilhamos o amor de Cristo [com o povo Roma] através da partilha de alimentos e remédios que oferecemos quando ocorrem desastres", disse Liszka.

Preparando-se para Rio +20

Na volta pra casa, Raimy Esperanza, de 24 anos, da Igreja Presbiteriana da Venezuela, por sua vez, planeja ancorajar ativamente a participação dos jovens de seu país de origem nas discussões sobre questões ambientais em relação à Rio +20, que será realizada no Brasil, em junho de 2012.

Claire Barrett-Lennard, da Igreja Anglicana da Austrália, tem a intenção de exortar as escolas a trabalhar pela justiça ligada à questão da água nas Filipinas.

Em 2008, a Igreja Luterana na Coréia do Sul aprovou um plano estratégico visando melhorar a participação das mulheres e dos jovens em vários níveis da igreja. "Buscamos conciliar os seres humanos e a natureza para transformar a igreja e a sociedade", disse Eun Hae-Kwon, vice-presidente da FLM para a região asiática e membro da comissão de jovens da FLM.

Esperança para os dalits

Jeyathilaka Prathaban, da Igreja do Sul da Índia, disse que sua igreja vai continuar a usar o tema da eco-teologia para dar esperança à comunidade Dalit na Índia.

"O sistema de castas restringe os Dalits de caminhar livremente, buscar água ou criar gado", acrescentou Prathaban. Ele disse que lamenta o abuso que Dalits enfrentam quando lhes é negada a terra que precisam para produzir seu próprio alimento.

Através do Fórum Eco-Dalit, um grupo de jovens que ele pretende formar ao voltar para casa, "vamos recuperar a terra de castas superiores e reivindicar direitos de acesso à água". Eles vão também criar centros de recursos nas aldeias para investigação das práticas agrícolas e ajudar a salvar o ambiente da degradação.

Tais iniciativas de base são fundamentais para transformar a ampla realidade de injustiças ecológicas que as pessoas enfrentam diariamente, declarou o Rev. Roger Schmidt, secretário de Juventude da FLM.

"O resultado da COP17 em Durban foi decepcionante e fica aquém do que o planeta e a humanidade precisa", comentou. "Mas os jovens que participaram do ‘Juventude pela Eco-justiça’ e suas igrejas nos dão um sinal de esperança.”

Com projetos assim, as igrejas contribuem para formação de consenso global acerca da obrigação ética de tomar medidas concretas em relação aos desafios ecológicos, acrescentou.

O trabalho do CMI sobre eco-justiça é implementado através da Rede Ecumênica da Água, o projeto “Justiça Climática” e o projeto “Pobreza, Riqueza e Ecologia”.

(*) George Arende é chefe do departamento de comunicações da Igreja Evangélica Luterana do Quênia.

O resultado de Durban não é suficiente, diz CMI (comunicado de imprensa do CMI, de 13 de Dezembro de 2011)

Leia mais sobre Juventude pela Eco-Justiça, da FLM

O programa do CMI de Eco-Justiça

Fotos de alta resolução do programa “Juventude pela Eco-Justiça” em Durban estão disponíveis em photos.oikoumene.org