Esta obra, intitulada Mobilizando Comunidades que Curam: Advento 2025 – Reflexão, Oração, Ação, é um recurso espiritual e prático para quatro semanas de encontros concebido para orientar as congregações na preparação para o nascimento de Cristo, abordando em profundidade temas como o bem-estar e a autonomia das mulheres, o papel positivo dos homens na vida familiar e na saúde reprodutiva, o deslocamento e a migração, e a promessa da paz (Shalom). Embasado nas Escrituras, nos ensinamentos dos primeiros Cristãos e nas realidades vividas do mundo de hoje, este livro oferece reflexões concisas, orações, ações a desenvolver no nível comunitário e argumentos de defesa de direitos para mobilizar as igrejas a se tornarem agentes de cura e justiça.
Porque busca integrar a formação espiritual com atos concretos de solidariedade e mobilização de recursos – especialmente em apoio à saúde, ao bem-estar e às comunidades vulneráveis –, esta iniciativa celebra o Advento convidando as comunidades de fé a preparar-se para a vinda de Cristo não apenas com devoção, mas com ações comprometidas que nutrem a esperança, restauram a dignidade e fortalecem a paz como qualidade holística.
Índice
SEMANA 1: Bem-estar e autonomia das mulheres
SEMANA 2: O papel positivo dos homens na vida familiar e na saúde reprodutiva
SEMANA 3: Deslocamento e Migração
SEMANA 4: A Paz (Shalom) e a preparação para o nascimento de Cristo
SEMANA 1: Bem-estar e autonomia das mulheres
Escritura: Lucas 1:26-38
No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galiléia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!”
Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: “Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim”. Perguntou Maria ao anjo: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é impossível para Deus”. Respondeu Maria: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”. Então o anjo a deixou.
Lucas 1:52–53
Derrubou governantes dos seus tronos,
mas exaltou os humildes.
Encheu de coisas boas os famintos,
mas despediu de mãos vazias os ricos.
Reflexão
Refletimos sobre a resiliência, a dignidade e a capacidade de ação das mulheres, representadas de forma muito poderosa na história de Maria. Como mulher adolescente e grávida, Mary abraça o chamado de Deus com notável coragem, apesar do potencial de sofrer com o estigma, a insegurança e os riscos. Santo Agostinho de Hipona (séculos IV-V) enfatiza a fé interior de Maria: “Maria concebeu em seu coração antes de conceber em seu ventre.” (Sermão 215.4). A coragem de Maria tem raízes na contemplação e na confiança. Santo Agostinho a vê como modelo de discipulado, respondendo a Deus com o coração aberto, enfatizando sua humildade e força: “Ela é a mãe de Cristo, mas é ainda mais bem-aventurada por ter recebido a fé de Cristo.” (Sermão 25.7).
O Magnificat de Maria (Lucas 1:46-55) é um cântico de justiça que relaciona sua gravidez à transformação social. Como jovem marginalizada, Mary proclama com voz profética a queda dos poderosos e a ascensão dos pobres, uma visão duradoura de libertação nascida do ventre materno. O Magnificat é também um convite à luta contra a violência de gênero, a injustiça econômica e a exclusão.
Celebramos também o elo sagrado e a solidariedade entre mulheres de diferentes gerações, inspiradas pelo encontro de Maria e Isabel – um momento repleto de afirmação, bênção e alegria compartilhada (Lucas 1:39-45).
Deus confia momentos cruciais de salvação às mulheres, conclamando a igreja a ser um modelo de honra, proteção e empoderamento. A vocação e a coragem de Maria oferecem um contexto propício para discutir a saúde materna, as pressões psicossociais e a importância de ambientes de apoio para mães jovens.
O bem-estar das mulheres continua sendo um dos desafios mais urgentes do mundo. A mortalidade materna não apresenta melhoras há quase uma década: 287.000 mães ainda morrem todos os anos, a maioria por causas evitáveis. O progresso global rumo à meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030 está abaixo do planejado. Milhões de mulheres não têm acesso a saúde pré-natal, assistência qualificada no parto, métodos contraceptivos, serviços de parto seguro e proteção contra a violência. Sem mais investimento, compromisso e solidariedade, o mundo ficará muito aquém da meta dos ODS.
Enquanto refletimos sobre esta semana, somos convidados a perguntar:
- Podemos reconhecer a Virgem Maria em cada mulher grávida e o menino Jesus em seu ventre?
- O que estamos fazendo – como indivíduos, como famílias, como congregações e como nações – para assegurar que toda mulher grávida receba cuidados e proteção?
O Advento nos chama, em nossos lares e comunidades, a cuidar das meninas e mulheres, a cuidar da mãe e da vida no útero, e, ao fazê-lo, a salvaguardar o futuro da própria humanidade.
Oração do Advento
Ó Deus Santo,
Na coragem de Maria, vemos a Tua força;
Em seu “sim”, testemunhamos um mundo que se renova.
Ela carregou Cristo em seu ventre enquanto vivia sob ocupação.
Enfrentando o medo, a incerteza e o fardo de sistemas injustos.
Abençoe todas as mulheres que dão à luz,
que mantêm as famílias unidas em meio às dificuldades,
que conduzem as comunidades rumo à esperança.
Dê forças às mães, filhas, avós,
e a todas aquelas que cultivam a fé ao longo das gerações.
Que a canção de justiça de Maria;
que exalta os humildes e sacia a fome,
possa guiar a nossa espera do Advento
e o nosso compromisso com a cura e a transformação.
Amém.
Sugestões para oração, ação e defesa de direitos
- Promover a equidade na saúde materna e reprodutiva
- Defender o acesso aos serviços de saúde para mulheres grávidas, a prática do parto seguro e o atendimento pós-natal para todas as mulheres da comunidade.
- Organizar uma campanha na congregação para apoiar clínicas, parteiras, maternidades e iniciativas de saúde lideradas por mulheres no nível local, especialmente aquelas que atendem as mulheres jovens e vulneráveis.
- Apoiar o acesso à prevenção do HIV e a medicamentos, especialmente em locais que ficaram sem atendimento de serviços de saúde durante o último ano e nos quais a ação comunitária pode ser uma forma de combate a essa injustiça.
- Apoiar as mulheres e os homens na linha de frente da atenção à saúde
- Destacar e fortalecer o papel das mulheres como cuidadoras, profissionais de saúde, conselheiras e líderes comunitárias.
- Proporcionar subvenções de pequeno valor ou fundos de emergência para mulheres que enfrentam dificuldades financeiras relacionadas à maternidade, violência de gênero ou seu papel como cuidadoras.
- Auxiliar nossas comunidades a superar os desafios associados a homens que podem se sentir "emasculados" e "feminilizados" por terem escolhido ingressar na profissão de enfermagem – uma área geralmente dominada por mulheres.
- Enfrentar a violência de gênero como uma questão de saúde pública
- Incentivar as congregações a estabelecer parcerias com abrigos, centros de aconselhamento e organizações de apoio jurídico.
- Contribuir e mobilizar recursos para apoiar as necessidades médicas, psicossociais e jurídicas das vítimas.
- Investir na cura e na educação intergeracionais.
- Arrecadar fundos para oferecer bolsas de estudo para meninas, mães jovens e avós que cuidam de crianças.
- Desenvolver programas de mentoria que conectem mulheres mais velhas e mais jovens para capacitação, apoio emocional e promoção da resiliência.
SEMANA 2: O papel positivo dos homens na vida familiar e na saúde reprodutiva.
Escritura: Mateus 1:18-25
Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta:
“A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel”, que significa “Deus conosco”. Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.
Reflexão
Esta semana destaca José como modelo de masculinidade carinhosa, protetora, compassiva e humilde. José personifica a masculinidade carinhosa, responsável e compassiva. Sua força silenciosa e a proteção fiel que demonstrou a Maria e Jesus servem de modelo para os homens de hoje, mostrando como eles podem incorporar a compaixão, a responsabilidade, a maturidade emocional e o cuidado dentro das famílias, das comunidades e da sociedade. Quando José descobre a gravidez de Maria, ele se encontra numa encruzilhada marcada por expectativas sociais, códigos de honra e medos pessoais. Mas ele escolhe um caminho diferente: um caminho baseado no discernimento, na compaixão e na responsabilidade. Orígenes de Alexandria (c. 185 – c. 253 d.C.) refletido: “A virtude de José manifestou-se no fato de que não agiu precipitadamente, mas sim buscou compreender a vontade de Deus” (Comentário sobre Mateus). José personifica uma força gentil, fundamentada não na dominância, mas na escuta paciente. Ele resiste ao instinto de reagir com raiva ou julgamento. Em vez disso, ele abre espaço para a voz de Deus. Sua capacidade de discernir em silêncio se transforma em um ato de profunda solidariedade com Maria, protegendo sua dignidade, sua segurança e a vida sagrada que ela carrega. Em José, vemos uma visão de masculinidade positiva que é urgentemente necessária nos dias de hoje. Uma masculinidade que:
- escuta antes de agir.
- protege em vez de controlar.
- assume a responsabilidade em vez de se esquivar dela.
- acompanha e apoia as mulheres.
Em todo o mundo, milhões de mulheres ainda enfrentam a violência, o estigma, a pobreza e a falta de acesso a serviços essenciais de saúde. Para um número grande demais de mulheres no mundo, ter ou não um parceiro que a apoie pode significar a diferença entre a vida e a morte. José nos mostra como a solidariedade compassiva se manifesta quando o bem-estar de uma mulher está em jogo.
Enquanto refletimos, somos convidados a perguntar:
- Respondemos aos nossos desafios com discernimento e humildade, como fez José?
- Nossos homens e meninos ajudam as mulheres a sentirem-se seguras, respeitadas e apoiadas?
- Estamos ensinando aos jovens uma forma de masculinidade enraizada na compaixão, e não no controle?
O Advento nos chama a guiar pais, maridos, irmãos e líderes a buscarem a vontade de Deus com humildade
para que nossos lares e sociedades reflitam a compaixão de Cristo.
Oração do Advento
Deus de misericórdia e sabedoria,
Confessamos que, por vezes, agimos precipitadamente.
, falamos de forma áspera ou deixamos de ouvir a Tua vontade.
Reconhecemos os momentos em que nossas maneiras de sermos homens;
e as normas que aceitamos;
não protegeram nem ampararam as mulheres e as crianças entre nós.
Perdoa-nos, Senhor.
Renova nossos corações e transforma nossos relacionamentos.
Ensina-nos a força silenciosa de José:
a ouvir antes de agir,
a proteger em vez de controlar,
a caminhar com compaixão, humildade e coragem.
Construa para nós uma comunidade onde todas as pessoas estão seguras
e são respeitadas e apoiadas.
Guie-nos para que possamos construir masculinidades mais saudáveis.
para as gerações futuras.
Em Tua graça, nos comprometemos a trilhar um caminho melhor.
Amém.
Sugestões para oração, ação e defesa de direitos
- Envolver homens na discussão sobre saúde mental, cuidados e apoio emocional.
- Incentivar diálogos congregacionais sobre o papel dos homens na saúde reprodutiva, inteligência emocional, vida familiar e criação dos filhos.
- Mobilizar recursos para treinamento em saúde mental e eventos para diálogo com homens e meninos sobre estresse, depressão e expectativas prejudiciais.
- Proporcionar perspectivas aos jovens através de oportunidades de treinamento e participação no desenvolvimento da comunidade.
- Promover a participação dos homens na saúde familiar.
- Promover mais envolvimento paterno nas consultas pré-natais, na parentalidade compartilhada e nas responsabilidades domésticas.
- Angariar recursos para programas de paternidade, círculos de mentoria para jovens e iniciativas de terapia familiar.
- Criar pontes para que homens jovens busquem cuidados de saúde reprodutiva e se envolvam na prevenção de ISTs, do HIV e da gravidez na adolescência.
- Combater o estigma das pessoas que vivem com HIV e envolver as congregações no esforço para restaurar o acesso a medicamentos para homens que vivem com HIV.
- Combater as disparidades na saúde masculina
- Incentivar a realização de exames de controle para saúde cardiovascular, dependências, câncer e saúde mental entre os homens.
- Organizar Igrejas Promotoras da Saúde em parceria com entidades locais da área da saúde.
- Mobilizar homens para a cura comunitária e a não violência.
- Incentivar os homens a se comprometerem com a não violência e o respeito mútuo dentro das famílias e comunidades.
- Apoiar atividades de esporte juvenil, artísticas e de construção da paz para jovens que promovam modelos masculinos positivos.
SEMANA 3: Deslocamento e Migração
Escritura: Lucas 2:1–7
Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se. Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galiléia para a Judéia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi. Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, 7 e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Reflexão
Milhões de pessoas hoje são forçadas a fugir de suas casas devido à guerra, desastres, perseguição ou pobreza. Ao final de 2024, estima-se que 123,2 milhões de pessoas em todo o mundo haviam sido deslocadas à força em consequência de perseguição, conflitos, violência ou violações dos direitos humanos. As crianças representam quase 40% de todas as pessoas deslocadas à força. Na última década, desastres relacionados ao clima deslocaram 250 milhões de pessoas — o equivalente a 70 mil pessoas por dia. Cada deslocamento traz consigo as feridas invisíveis do trauma, da solidão, do luto e da incerteza.
Neste contexto, voltamo-nos para a história da Sagrada Família como uma família deslocada. José e Maria, que estava grávida, viajaram de Nazaré para Belém não por escolha própria, mas por decreto de um imperador distante. Sua jornada foi moldada por sistemas políticos e econômicos fora de seu controle, e chegarem ao seu destino mais vulneráveis que saíram de casa: “Não havia lugar para eles no quarto de hóspedes” (Lucas 2:7).
São João Crisóstomo (século IV d.C.) observou que este decreto “mostrou como o mundo inteiro estava sob o jugo do império" (Homilias sobre o Evangelho de São Mateus). O censo não era meramente administrativo; era uma manifestação de dominação e controle.
A Igreja primitiva viu neste evento mais do que uma dificuldade; ela discerniu nele uma revelação de solidariedade divina. A Encarnação não ocorre em um palácio, mas em condições de deslocamento, pobreza e vulnerabilidade. Deus escolhe habitar entre as pessoas marginalizadas: as impotentes, as indocumentadas, as invisíveis.
Ao contemplarmos esse mistério, somos convidados a perguntar:
- Podemos reconhecer a Sagrada Família nos milhões que vivem hoje sem abrigo, sem acesso a serviços, sem segurança?
- A nossa fé pode abrir os nossos olhos para o sofrimento dessas pessoas e as nossas mãos para que pratiquemos a solidariedade?
O Advento nos conclama não apenas a lembrar o Cristo que veio ao encontro das pessoas deslocadas, mas também a encontrar Cristo entre as pessoas deslocadas de hoje e a agir com compaixão, justiça e hospitalidade.
Oração do Advento
Deus da Jornada,
Você chegou ao nosso meio em uma família forçada a viajar,
nascido longe de casa,
e pouco depois fugiria com ela como refugiado.
Elevamos diante de Ti todas as famílias que sofrem com o deslocamento, o conflito e a ansiedade.
e que carregam o fardo da sobrevivência todos os dias.
Restaurar relacionamentos rompidos,
fortalecer as cuidadoras,
consolar todas as pessoas de luto,
e curar todas as que convivem com o medo, o trauma ou a angústia.
Faça de nossas comunidades lugares de segurança, acolhimento e cura—
onde ninguém é esquecido.
e onde todos possam viver com dignidade e paz.
Amém.
Sugestões para oração, ação e defesa
1. Apoiar famílias deslocadas e migrantes
- Defender a integração e o acesso a serviços básicos para pessoas com histórico de migração e experiências traumáticas.
- Criar igrejas acolhedoras das pessoas migrantes que integrem pessoas com histórico de migração, permitindo a elas que vivam sua fé abertamente.
- Defender o acesso equitativo a sistemas de saúde locais, independentemente da situação jurídica.
- Mobilizar fundos para o transporte a clínicas, medicamentos essenciais, roupas de inverno, vales-alimentação e abrigo emergencial.
- Apoiar as famílias deslocadas na sua integração e na manutenção dos seus meios de subsistência.
2. Promover a saúde mental a cura dos traumas no nível comunitário
- Estabelecer parcerias com profissionais de saúde mental para realizar treinamentos e diálogos sobre trauma, estresse, dependência e prevenção do suicídio.
- Angariar recursos para serviços de aconselhamento, espaços seguros para jovens e ministérios de apoio a pessoas traumatizadas.
3. Fortalecer as redes de segurança comunitárias
- Criar fundos de solidariedade congregacional para auxiliar famílias em crise, cobrindo emergências médicas, aluguel, mensalidades escolares e insegurança alimentar.
- Apoiar cozinhas comunitárias, centros para jovens e programas de saúde comunitária geridos por organizações da sociedade civil locais ou igrejas.
4. Defender políticas que protejam famílias vulneráveis
- Promover políticas que garantam o acesso a cuidados de saúde, proteção social e habitação segura para pessoas migrantes, refugiadas e deslocadas internas.
- Incentivar as congregações a se engajar lideranças políticas por meio de cartas, petições e diálogo para promover políticas justas e compassivas.
SEMANA 4: A Paz (Shalom) e a preparação para o nascimento de Cristo
Escritura:
Isaías 9:6
Porque um menino nos nasceu,
um filho nos foi dado,
e o governo está sobre os seus ombros.
E ele será chamado
Maravilhoso Conselheir], Deus Poderoso,
Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Lucas 2:8–14
Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados. Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura”. De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”.
João 14:27
Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.
Efésios 2:14-16
Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade.
Reflexão
Os profetas da antiguidade ecoaram a Promessa do Príncipe da Paz. Os anjos a proclamaram. O próprio Cristo afirmou seu Dom da Paz. É o amor de Deus pelo mundo que leva ao nascimento de Cristo – Deus encarnado em uma forma humana e vulnerável – para a salvação do mundo (João 3:16). Vemos na vinda de Cristo o fim do medo e da injustiça, e a criação de uma nova comunidade enraizada na compaixão e na reconciliação. Shalom é mais do que a ausência de conflito. Hoje, o Advento nos convida a receber Jesus uma vez mais e a nos tornarmos instrumentos do Shalom em um mundo ferido, cumprindo assim a visão de Deus de um mundo curado: justo, reconciliado, com relacionamentos restaurados e íntegro.
O Shalom nos convida à cura holística de nossos corpos e mentes, promovendo nossa saúde; de nossos relacionamentos, abraçando a justiça e a reconciliação; de nossas sociedades, protegendo a equidade, a dignidade e a inclusão; e do nosso meio ambiente, fomentando o cuidado da criação.
O Shalom combate a injustiça. É uma paz que nunca é passiva.
O Shalom nos convida a:
- enfrentar os sistemas que prejudicam as pessoas vulneráveis.
- desmantelar a violência nos lares, nas comunidades e nas nações.
- assegurar que os recursos sejam distribuídos de forma justa.
- proteger a vida, especialmente onde ela é frágil e está ameaçada.
O Shalom é a alternativa de Deus às estruturas fragmentadas do mundo. Cristo é a nossa paz (Efésios 2:14).
O Shalom é, portanto, um Dom de Deus trazido a nós por Cristo. Como seguidores de Jesus, nós (individualmente e como comunidade) recebemos o chamado a viver e testemunhar essa Paz. Assim, a preparação para o nascimento de Cristo é um convite para participar da missão de cura de Deus no agora.
O Advento revela que Deus não permanece distante. Deus se faz presente nas lutas de hoje: conflitos, migração, doenças, desigualdade. Esses não são lutas abandonadas; são os próprios espaços que Cristo habita. Somos convidados a nos perguntar: Como indivíduos e Igrejas, estamos presentes e engajados nesses lugares de necessidade e encontrando a Cristo?
Mas para praticar a solidariedade para com as outras pessoas, é preciso estar aberto. Para estarmos abertos e praticarmos o amor incondicional, como uma árvore com galhos amplos e abertos, precisamos de raízes profundas de fé (Sua Excelência o Metropolita Thomas - Igreja Ortodoxa Copta - contemporânea). Para chegar aos corações das outras pessoas, é preciso buscar seu interior. O Shalom começa no coração humano porque Cristo vem primeiro da vida interior. Santo Isaac de Nínive (século VII) disse: "Esteja em paz com sua alma; então o céu e a terra estarão em paz com você.” A afirmação é que a verdadeira paz não é primordialmente externa, nem resultado de circunstâncias estáveis.
É uma reconciliação interior entre o coração humano e Deus.
O Advento prepara as pessoas crentes para acolherem Cristo, que será “formado em nós” (Gálatas 4:19), e os anjos em Belém anunciaram a “paz… entre os que ele favorece” (Lucas 2:14).[XXX] A paz interior faz parte da preparação espiritual do Advento: Quando a alma é curada e reconciliada, a pessoa se torna portadora da paz divina.
Oração do Advento
Deus da Paz e da Promessa,
Nesta época sagrada de espera, ansiamos por Teu Shalom;
A paz que cura, restaura e nos faz completos.
Onde o nosso mundo está ferido por conflitos,
Que a Sua paz crie raízes.
Onde as famílias estão sob tensão ou desestruturadas,
Que a Sua reconciliação se revele.
Onde corpos e espíritos sofrem,
Que a Sua presença curadora se aproxime.
Enquanto aguardamos o nascimento de Cristo,
Fazei de nós instrumentos de Teu Shalom;
Amando a misericórdia, praticando a justiça, cultivando a compaixão,
Acompanhando os vulneráveis com humildade, em Sua presença, ó Senhor;
Encha nossos corações e comunidades com a Sua esperança,
e nos prepare para receber o Príncipe da Paz.
Amém.
Sugestões para oração, ação e defesa de direitos
- Cultivando o Discipulado Espiritual, potenciando o Shalom
Praticar e promover o Discipulado Espiritual do Cristianismo para si, para a família e para a congregação: Oração e contemplação; Envolvimento com as Escrituras (leitura, estudo); Adoração; Confissão; Serviço; Comunhão; Jejum, Discipulado e mentoria; e Descanso/Sábado.
- Reflexão, oração e diálogo
Organizar reflexões, orações e diálogos regulares ou periódicos sobre questões-chave que promovam o 'Shalom' em seu contexto. Essas ações podem incluir atender às necessidades da comunidade, refletir sobre crises e conflitos e sobre desigualdades ou injustiças sistêmicas, abordar questões de saúde física ou mental ou tratar assuntos relacionados ao meio ambiente.
- Ações direcionadas e de defesa de direitos
De forma inclusiva e consultiva, priorizar, desenvolver, planejar e implementar ações direcionadas e de defesa de direitos para abordar as principais questões identificadas pela comunidade religiosa.
- Mobilização de recursos
A paz (Shalom) se mantém quando as comunidades mobilizam seus recursos espirituais, humanos e materiais para a cura, a justiça e o cuidado. A mobilização de recursos não é uma simples angariação de fundos — é um ministério de solidariedade e gestão responsável que potencializa ações locais, promove a saúde e o bem-estar das pessoas e assegura que a paz seja mais do que uma oração. Quando investimos na construção da paz, em clínicas, em programas para a cura de traumas, em iniciativas para jovens e no apoio às pessoas vulneráveis, estamos participando da obra de Deus para estender o Reino de Deus, aqui e agora. É preciso ter recursos sustentáveis para que o Shalom se sustente.