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Recuperando nossa humanidade

Recuperando nossa humanidade

Bispo Mark MacDonald. Photo: WCC/Peter Williams

23 June 2015

English version published on: 25 June 2015

Por Susan Kim (*)

Estamos entrando numa era em que o público tem mais conhecimento sobre os direitos dos povos indígenas, afirmou o Bispo Mark MacDonald, presidente do CMI para a América do Norte e Bispo Nacional dos Povos Indígenas da Igreja Anglicana do Canada.

"Especialmente ao longo dos últimos sete anos, os indígenas no Canada e ao redor do mundo tem adquirido mais autodeterminação e alcançado uma atualização dos valores ensinados por seus anciões", ele disse.

O que é vital neste momento, afirmou, é o senso público de que os povos indígenas precisam avançar em sua autodeterminação. "Eu diria que este é o aspecto mais importante: que as pessoas sejam fortes, não importe o que aconteça. Isso é fundamental".

Refletindo acerca de sua leitura do teólogo católico Robert Schreiter, que estudou e lutou por reconciliação ao redor do mundo, MacDonald disse que a reconciliação é, em última análise, recuperar a identidade indígena. "A reconciliação não acontece quando o opressor decide ser bom. A reconciliação começa quando os povos oprimidos recuperam sua humanidade", destacou MacDonald.

Mudanças Climáticas e identidade indígena

A identidade de uma pessoa indígena está geralmente ligada à terra, continuou. "No mundo de hoje, a terra está sendo roubada, assim como nossa relação com a terra e com as criaturas que nela vivem. Este roubo é experimentado de forma muito dolorida pelos povos indígenas".

Muitas pessoas observam com tristeza os eventos históricos nos quais os povos indígenas perdem suas terras. Mas as mudanças climáticas constituem numa contínua, real e imediata perda de terra também, apontou MacDonald. "O que vemos agora com as questões de mudanças climáticas é uma contínua aceleração da desapropriação de terras que é ameaçadora aos povos indígenas de muitas formas - ameaças a sua segurança alimentar e às suas vidas. As pessoas menos responsáveis pelo que está acontecendo são as que mais sofrem".

Durante o Encontro Inter-religioso sobre Mudanças Climáicas, em setembro de 2014, em Nova Iorque, 30 líderes de nove tradições religiosas diferentes uniram-se para fortalecer um chamado único para que os líderes politicos respondam de forma efetiva às mudanças climáticas. Muitos dos oradores do evento falaram sobre mudanças climáticas, sobre isto é algo que afeta diretamente o bem-estar dos povos indígenas. Não há futuro bom para nosso planeta que não envolva os povos indígenas", disse MacDonald.

Enquanto MacDonald valoriza o que ele chama de sua educação "ocidental", as coisas que ele aprendeu com os mais velhos foram inestimáveis para a formação de sua própria identidade indígena. "Em termos de compreender o mundo em que vivo, e quem eu sou nesse mundo, os anciãos têm sido mais decisivos", disse ele.

(*) Susan Kim é uma jornalista freelance de Laurel, Maryland, Estados Unidos.

Mais informações sobre o trabalho do CMI sobre justiça climática

Atividades do CMI em solidariedade com os povos indígenas