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Repudiem o mal e amem as pessoas, diz Martin Luther King III

21.05.11

Martin Luther King III falando na plenária da CEIP

Depois de perder o pai, o tio e o avô e atos violentos e, em alguns casos, suspeitos, Martin Luther King III, ainda acredita que existe uma forma maior e mais nobre que é o de "não gostar do ato de maldade", mas "ainda amor do indivíduo."

 

Sobre o recente assassinato de Osama Bin Laden, King, que é o filho mais velho do ex-líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., afirmou que "é difícil se sentir bem com isso".

 

Os comentários de King foram feitos na coletiva de imprensa realizada após sua palestra, nesta quinta-feira, para os mais de 1.000 participantes da Convocação Ecumênica Internacional da Paz (CEIP), em Kingston, Jamaica.

 

A Convocatória está sendo organizada pelo Conselho Mundial de Igrejas, a Conferência das Igrejas do Caribe e o Conselho das Igrejas da Jamaica.

 

"Porque [Estados Unidos] disse que ele era responsável por outros assassinatos, eles assassinaram ele [Bin Laden]. Muita gente se sentiu bem com isso. Acho que é difícil se sentir bem com isso", disse King.

"Os EUA tinham que reagir de alguma forma às ações horríveis de Bin Laden, mas matá-lo não era necessariamente a melhor alternativa", disse ele.

 

"Certamente, alguma coisa deveria ter sido feita com Bin Laden, mas eu não sei se [matá-lo], foi bom. Eu não acredito em olho-por-olho e dente-por-dente". Se fosse esse o caso, todos nós estaríamos sem olhos e dentes", disse ele.

 

"Nós temos que chegar mais alto. Nós temos que ser melhores. Nós não podemos continuar a pregar a paz e a praticar a guerra", disse ele. King também disse que, coletivamente, as igrejas precisam fazer um trabalho melhor de promover a paz e a não-violência.

 

"Vejo isso tudo como um desafio. Nós, nas igrejas, e também aqueles de nós que são membros, devem fazer um trabalho melhor, não só para falar sobre a paz, mas para realmente viver e promover a paz da melhor maneira. Isto, francamente, não está acontecendo. As pessoas só se unem quando ocorre uma crise”, disse ele.

 

King disse que a Igreja tem uma responsabilidade única em trazer a paz. "A paz não através de uma entidade. Não vai ser só as igrejas ou as Nações Unidas. Toda a comunidade deve abraçar a paz."

Recordando seus pais e a educação que recebeu, King disse que a paz mundial pode começar na casa de cada um. "Estou muito grato que minha mãe e meu pai incutiram em nós certos princípios e valores relacionados ao amor."

 

Depois que seu pai foi assassinado, King disse que tinha 16 anos quando sua avó foi morta a tiros e que, um ano depois, seu tio foi misteriosamente afogado. “Passe a ver estes momentos de perda como exemplos que me ensinaram a não gostar da maldade, mas do amor do povo”, disse King.

 

Ele acredita que a não-violência não é um ideal inatingível, mas um caminho viável para as pessoas e países resolverem seus conflitos.

 

"Eu acredito que um dia o nosso povo, os seres humanos, vão olhar para trás e dizer que, em algum momento da história tivemos um comportamento arcaico, mas que a violência é coisa do passado. Nós sempre temos que mergulhar na verdade. Sabemos o que é certo e o que é errado", disse ele.

 

King citou o site www.thekingcenter.org, que apresenta seis etapas da não-violência, bem como uma série de fundações batizadas em homenagem a Gandhi.

 

A paz pode muito bem se tornar o foco dos meios de comunicação social para a juventude, disse ele.

 

"Temos de fazer deste mundo um lugar melhor. Temos que colocar no Twitter o que as pessoas estão fazendo. São os jovens que vão liderar esta luta. É sua vocação. Cada geração tem um chamado. Talvez o chamado desta geração seja um mundo pacífico"

 

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