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Convocatória do CMI é aberta com forte chamado global pela paz

19.05.11

Rev. Dr. Margot Kaessmann

A Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz (CEIP) foi aberta, nesta quarta-feira, em Kingston, Jamaica. Teólogos, líderes religiosos e o primeiro-ministro da Jamaica saudaram os cerca de 1.000 participantes vindos de de mais de 100 países.

 

Um dos oradores principais, Dr. Paul Canon Oestreicher, pacifista mundialmente reconhecido, fez um chamado às igrejas detodas as tradições espirituais para fortalecerem seus posicionamentos sobre a paz e até reconhecendo, em sua própria história, episódios em que declarararam guerras em nome de Deus.

 

"Sob o signo da cruz, nações cristãs conquistaram outras nações", disse ele. "Nas cruzadas, massacramos os filhos do Islã. Isso não foi esquecido. Nós, assim como nossos irmãos e irmãs no Islam, consideramos há um lugar assegurado no céu para aqueles que morrem em batalha."

 

Oestreicher reconheceu que o caminho para a paz é obstruído por diversos aspectos políticos complexos.   "Quando a guerra começa, ela é considerada pela maioria dos nossos vizinhos como algo a ser honrado e até, provavelmente, necessário e nobre. Isto camufla uma realidade sangrenta e cruel”, concluiu.

 

O Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), moderou a sessão de abertura da Convocatória, saudou as igrejas-membro e suas histórias de busca pela paz e reconciliação.

 

"Acredito que Deus nos chamou aqui, vindos de muitas partes do mundo, para que levemos a nossos países as experiências que viveremos", disse ele. "Muitos de vocês carregam com vocês a realidade da injustiça da violência".

 

Os representantes caribenhos e da Jamaica deram as boas-vindas aos participantes da CEIP, lembrando que muitos participantes estavam visitando a Jamaica, pela primeira vez.

 

O Primeiro-ministro jamaicano, Bruce Golding, reconheceu o histórico de violência em seu país e, ao mesmo tempo, a engenhosidade e capacidade para enfrentar a violência ao longo das décadas.

 

"Realmente acredito que todos nós fomos criados pelo mesmo Deus", disse ele. "O desafio é: como podemos transformar a nossa discussão num conjunto partilhado de valores que sejam universalmente aceitos e apoiados."

 

Os teólogos resposáveis pelas palestras de abertura abriram a plenária com  perguntas que os participantes irão debater ao longo da CEIP. O Arcebispo Metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento de relações externas da Igreja Ortodoxa Russa, falou sobre cristãos e outros grupos ao redor do mundo que são expostos diariamente a humilhações e ameaças.

 

"A questão principal que temos de responder é o que nós, como cristãos, podemos fazer juntos diante da crescente violência, agressão, exploração e terror", disse ele.

 

A CEIP marca o final da ‘Década para Superação da Violência’, uma iniciativa do CMI que procurou fortalecer as iniciativas já existentes e as redes de prevenção e superação da violência, bem como inspirar a criação de novas frentes.

 

A Rev. Dr. Margot Kaessmann, teóloga luterana e pastora da Igreja Evangélica da Alemanha, disse que os participantes da CEIP são parte de uma viagem longa e complexa que está apenas começando nesta semana.

 

"Nossas economias lucram com a guerra e a violência que lamentamos”, disse ela. "A religião desempenha um papel fundamental no que diz respeito à construção da paz e superação da violência. Chegou a hora da religião se recusar a ser usurpada pelo derramamento de óleo no fogo da guerra e do ódio."

 

Website da CEIP

 

Textos das palestras de abertura