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7.12.05 14:26

Mensagem de Natal 2005 do secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas

 

Foto gratuita disponível, veja abaixo

"Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado em uma manjedoura."

Lucas, 2:12

Foi no meio da temporada de Natal do ano passado que o tsunami de 26 de dezembro matou milhares de pessoas na costa do Oceano Índico. Quem pode esquecer as imagens das ondas assassinas, das muitas vítimas e dos sobreviventes traumatizados, no litoral da Indonésia, Tailândia, Índia, Sri Lanka, Maldivas e mesmo na Somália? No mundo todo, essas imagens desencadearam uma resposta nunca vista aos apelos por auxílio de emergência - uma extraordinária expressão de solidariedade para com as vítimas, de pessoas de todas as origens.

O ano que se seguiu renovou nosso espanto diante da força da natureza, com uma freqüência incomum de tempestades violentas, inundações e furacões como o Katrina, no Golfo do México, e o terrível terremoto que devastou aldeias e cidades inteiras na Caxemira. No Brasil, onde o Conselho Mundial de Igrejas realizará sua 9a Assembléia em fevereiro de 2006, o serviço meteorológico do país utilizou pela primeira vez o termo "furacão", para uma tempestade sem precedentes em 2004. Vastas áreas do país sofrem com uma seca terrível, como se nosso ambiente físico não fosse mais tolerar o ataque negligente e impiedoso contra sua integridade, demonstrando seu poder para a humanidade e nos lembrando de nossa vulnerabilidade. Repetidamente, os pobres e marginalizados foram os mais vulneráveis e assim, os mais gravemente atingidos. A distância entre ricos e pobres, os traços de discriminação por raça e casta, os males que dividem a humanidade, todos foram expostos nessa situação de crise.

Ao nos prepararmos para celebrar o Natal, a história do nascimento de Cristo fala de novas formas, contra o pano de fundo dessa experiência. Vemos diante de nós a imagem de um bebê envolto em panos e deitado em uma manjedoura que foi, segundo a tradição dos primórdios da igreja, colocada dentro de uma caverna em Belém. Através da história, essa imagem confortou vítimas da opressão e da violência em muitas partes do mundo. Ela levou os seres humanos a entender que Jesus foi realmente um de nós: alguém com os pés no chão. Ela estimulou alguns a crer que a presença de Deus conosco em Jesus é poderosa o suficiente para transformar a Terra; motivou outros a aceitar sua própria responsabilidade e prestar solidariedade a todos que trabalham pela mudança e por alternativas às condições existentes. Através de Jesus Cristo, a encarnação do divino, Deus deu seu amor à humanidade. Deus se tornou um ser humano, nascido de uma mulher, que sofreu como sofremos e morreu como devemos morrer.

"Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Filipenses, 2:5-11). Ousaríamos investir menos na humanidade do que Deus? Ousaríamos investir menos em nós mesmos do que Deus considerou apropriado?

Quando oramos com as palavras do tema da próxima Assembléia do CMI, Deus, em tua graça, transforma o mundo, confessamos nossa prontidão para proclamar as boas novas de que o Deus Triuno agiu para dignificar a humanidade por meio da encarnação em Jesus Cristo, e começar a transformação de um mundo que pouco conhece de graça e piedade. Com o nascimento da criança em Belém, Deus está agindo na criação para gerar transformações necessárias por meio da graça. As igrejas e seus membros no mundo todo se colocam ao lado dos pobres. Isso se aplica especialmente aos cristãos do Brasil, que se engajam em lutas pelos sem-terra, pelo direito a água para todos e no cuidado com a criação. As igrejas brasileiras estão trabalhando juntas, no poder do Espírito Santo, com a esperança de superar a violência e ajudar a estabelecer a justiça e a integridade no exercício da responsabilidade política.

Quando pedimos, neste Natal, que você se aproxime dos que sofrem e dos marginalizados em seus pensamentos, orações e atos, estamos pedindo que ore especialmente pelos pobres e pelas igrejas do Brasil. Chamados a trabalhar junto a Deus, nossa participação na missão de Deus começa onde vivemos, mas nossa responsabilidade comum nos leva à cooperação ecumênica pelo bem do mundo todo.

Que as bênçãos do Natal lhe tragam paz e alegria.

Rev. Dr Samuel Kobia

Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas

Dezembro de 2005

[790 palavras]

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